Boas vindas a quem chega!

Este é um blog destinado a falar de tarot. Para escrever sobre tarot e suas infinitas possibilidades. Para ler tarot, presencialmente ou online.

Para agendar a sua leitura, entre em contato: pietratarot@icloud.com ou (11) 98136-2050

quinta-feira, 30 de junho de 2011

The Tarot Game

Chegou!
Olá, queridos!

Depois de quase 5 semanas de espera, ele chegou!

Eu o conheci pelo podcast Beyond Worlds, Tarot Tribe... e me apaixonei quando joguei online com a autora, a Jude Alexander. A experiência, eu relatei aqui.

Preciso dizer que estou muito emocionada.

O jogo é primoroso... vem os 3 dados, os peões são cristais... junto tb vem um deck todo escrito... para ajudar os que não estão muito familiarizados com os significados  das cartas. Também temos cartinhas de atividades, tabuleiro e umas fichas de leitura.

O jogo pode ser jogado por até 9 pessoas por vez e é uma forma bastante lúdica de se fazer uma leitura. Você conta histórias, pensa sobre o significado de cartas e pode colocar os significados das cartas dentro do cotidiano e de nossas vidas.

Além disso, eu quero fazer do jogo mais uma modalidade de leitura que pode ser feita, junto com a leitura presencial, por mail, por skype etc e tal... Mas, para isso, é preciso de uma prática.

Então, dia 6 de julho, quarta-feira, quero convidar a quem se interessar pelo jogo e pela dinâmica para jogar comigo. Interessou? Breve, informações!

Care to play?
Pietra

Cursos online de Julho

Com a chegada das férias, convido a todos para estudarem tarot nessas 4 semanas de julho.

Segunda-feira, às 20hs: Curso de Arcanos Menores.
Duas horas de aula.

Arcanos Maiores e Leituras: ainda não fechamos, então, se vc se interessa, me mande uma mensagem para combinarmos uma turma.

Investimento: R$70,00

Todas as aulas acontecem via Skype.

Para inscrições e informações, escreva: dichiaroluna@gmail.com

Nos vemos então!
Pietra

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sorteio das leituras do Vitruvian Squares

Olá, queridos!
Fiz o sorteio!!!!

Para a leitura com o Vitruvian Squares com 3 cartas, a vencedora foi a Temperance Furtado =)

E para a de uma carta com o mesmo layout, a vencedora foi a Alethea.

Parabéns, queridas. E entro em contato para combinarmos.

A Alethea fez até um texto contando um pouco de como foi a sua experiência com o Vitruvian Squares!

Ah, e breve, vamos sortear aqui no blog jogos online com o The Tarot Game.

Aguardem!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Wizards Tarot

Há alguns dias fiz a minha matrícula na Mandrake Academy School of Magic and Mystery.

E não estamos falando de Harry Potter - por incrível que pareça. A Mandrake Academy é o campus onde acontecem as aulas de magia e tarot que são o pano de fundo do Wizards Tarot.

Esse deck lindo foi feito pela Corrine Kenner e ilustrado por John Blumen. É um deck lindo, feito com arte digital. A ideia dele é que nós sejamos o iniciando que vai estudar todos os mistérios e simbolismos do Tarot com os diferentes professores, em casas de diferentes elementos e convivendo com elementais.

Assim, cada um dos arcanos maiores é um professor de uma matéria mágica diferente... e os arcanos menores, situações que os alunos passam. Já as cortes, são cortes dos elementais.


No livro que vem com o deck, que é muito mais que um LWB (little white book - livreto branco)... é um workbook da Mandrake Academy. Cada carta tem sua lição e uma magia que pode ser usada.

O que é legal desse deck é que ele tem uma ideia que vai um tanto mais além da divinação, mas tem a meditação e a magia.

O deck é da Llewllyn Publications e vem numa caixinha bem bacana. Ele não é tão plastificado, mas tem o tamanho padrão e é bem fácil de ser embaralhado. Já fiz algumas leituras com ele, e ele é bem profundo e me pareceu bem propenso a falar de pessoas... as cortes adoram pular por aí.

Com o tempo e com o uso, posto um pouco mais sobre ele. Mas posso dizer com tranquilidade que é um dos melhores decks publicados em 2011.

Para conhecer todas as cartas e mais sobre o deck, acesse o site do Wizards Tarot.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Inverno...

Hoje, olhando os feeds dos blogs que sigo, vi que a Marcia McCord escreveu sobre O Sol, uma vez que o solstício de verão está a pino nos EUA. E acho que faz muito sentido... mesmo. O Sol está aparente... ele aquece, ele queima e convida as pessoas a sairem de suas casas e estarem com outras pessoas.

Agora, fiquei aqui, pra variar, pensando, qual carta seria uma de inverno. E me veio: A Lua. Primeiro que, se o Inverno é o oposto do Verão, a Lua é o que vem depois do Sol... dia x noite... E se os dias são longos no verão com o Sol ficando até tarde... bom,  as noites do Inverno são mais longas e Lua que já eclipsou nos fala nesses dias.

A Lua está no céu, pelo menos na maior parte do tempo, quando a noite está conosco. É escuro... animais com hábitos diferentes dos nossos estão andando pela terra. Os sons nem sempre tem forma... Com a Lua e com a Noite, as coisas são sempre mais etéreas, e é claro, mais mágicas.

Lua, Maat Tarot.
A Lua fala daquilo que nem sempre conseguimos colocar em palavras. Luz azul que toma o caminho, que é o que ilumina, levanta as marés. Nós não sabemos bem como, mas vemos que está acontecendo.

Lua mágica que fala com as bruxas.
Lua cheia que fala com os poetas.
Lua que carrega os nossos ancestrais.
Lua que esconde/ mostra o caminho.
Lua que guarda o Esquilo Feliz que fez seus guardados para o Inverno.

Inverno de noites longas, que talvez tragam mais descanso. Que deixa as pessoas mais dentro de suas casas e faz com que as pessoas tenham de se encarar e aprender a lidar com o clã, com a família. Amor de inverno que aquece os corpos. Tem a bênção da lua que, sob o frio ar do inverno, ilumina as alcovas que os corpos aquecem.

Pietra, sobrevivendo ao inverno.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Estou aqui pensando...

em quantas vezes colocamos umas coberturinhas de açúcar nas "cartas encardidas".

Vamos definir:
- cobertura de açúcar: sugar coat, ou seja, amainar ao máximo alguma coisa... quase como colocar panos quentes. Adoro essas metáforas.
- cartas encardidas: são cartas que têm ideias, conceitos e símbolos difíceis de lidar. Vide: Torre, 3 de espadas, 8 de copas etc e tal. Algumas mais complexas, como A Lua, podem caber aqui tb.

Eu estou pensando nisso pq eu tirei uma Morte numa leitura há pouco tempo e fiquei pensando: ah, super tranquilo... Morte, passagem... bacana... E eu sei que é mesmo... Mas sabe o que é encardido nessa carta? O luto.

Mesmo que uma coisa que não presta morre, ou pior, uma coisa que gostamos morre, é sempre fogo de lidar. Porque estamos acostumados com ela, pq somos apegados, pq fomos pegos de surpresa.

Assumo que eu chorei com essa Morte... mas, meu mês está com a minha Temperança... que oferece um lencinho.

Mas de tudo, no intuito de fazer uma observação e entendimento das cartas, será que não colocamos açúcar para não assustar? Foi assim que o Esquilo Feliz nasceu =)
Ah, Esquilo Feliz, será que vc não é o sugar coat?
Bjos
Pietra

Leitura dA Força

Dia 18 de junho foi o encontro presencial do Chá de Tarot e o estudo feito foi sobre A Força.

Foi um encontro bem curioso, por muitos motivos. Um encontro de mt sincronicidade.

Primeiro que, na primeira hora do encontro, haviam apenas mulheres em volta da mesa... tal qual a maioria das cartas levadas para a roda e repertório de imagens eram 99% com mulheres. Até que, num dado momento, chegou um rapaz, que se fez com a única carta que tinha um homem com um leão.

Depois, essas mulheres todas falaram muito daquilo que precisam superar e como estar com o Leão garante uma passagem bem segura para o que desejam.

Uma das meninas que foi ao encontro e tinha uma questão a pensar em relação ao marido descobriu que o mesmo trabalhava junto com o rapaz que foi ao encontro - sem saber, sem se conhecerem!!!!

O chá que eu servi era Leão =)

Assim, em roda e conversando, entre eu e pessoas que já lêem tarot e pessoas que começam agora, pensamos em coisas bem interessantes sobre A Força:
- instinto
- feminino
- alma/ anima + racionalidade para se chegar onde quer
- poder
- domínio
- coragem
- segurança
- defesa de leão

E com essas ideias todas, fizemos as três frases de reflexão que, posteriormente, nos deram as cartas (3) que usamos em nossa leitura coletiva.

As frases da Força para meditação:
- Eu tenho coragem de ................
- Eu sou uma pessoa que ............
- Meu instinto que diz que ..........

Nova Tarot.
Como fazer?
Depois de estudar um arcano e levantar ideias e palavras-chave sobre ele, pensamos em três frases que representam esse arcano. Essas frases têm um espaço em branco que cada participante do Chá completa com algo que vê numa carta que tira do deck. O deck é passado pela mesa, e cada qual tira uma para cada pergunta. E pode ignorar seu significado completo e se atentar apenas a um pequeno símbolo representado... ou ainda, pode completar a frase com uma palavra relativa a seu significado.

Um exemplo com a leitura dA Força:
Eu tenho coragem de falar o que é necessário.

Eu sou uma pessoa que se movimenta muito.
Meu instinto que diz que é preciso sair voando das coisas que ainda estão paradas na vida.

E delas, fazemos uma leitura coletiva, ou seja, todos os participantes opinam sobre o que as 3 cartas de cada um significam. O participante dono da carta, porém, determina qual será o contexto da leitura de suas 3 cartas.

As frases acabam ajudando as pessoas a pensarem na leitura que se faz pelos outros e crescemos... tanto pelo contexto quanto pelo nosso entendimento.

Gostou?
Participe do Chá! Todos os dias online, no Facebook... e mensalmente presencial.
O próximo acontece dia 2 de julho, no Faces da Lua, Vila Mariana, SP.

Pietra

terça-feira, 21 de junho de 2011

Leitura de lunação - junho

Leitura da Lunação...
Saída: 2 de paus
Chegada: Rainha de Espadas
Caminho: Temperança
 
Sun & Moon Tarot
Sair de um olhar para o futuro para, pela Temperança, se tornar uma rainha. Me parece bastante trabalho. Então, esse mês, quero me concentrar nessa Rainha de Espadas...
 
Espadas é um naipe que eu sinto que muita gente evita... e tenho umas ideias do por quê... É nas espadas que está a racionalidade e o pensamento... e, embora muito se diga que é isso que nos separa dos outros animais, eu não tenho toda essa crença assim nessa afirmação. Quero dizer, não acredito que a racionalidade seja a essência humana... eu penso que esta seja um dos muitos instrumentos que temos, e que, talvez e tomara, saibamos usá-la bem. Quando o sabemos, as espadas são uma direção, uma extensão de nossos braços para podemos alcançar o que desejamos... quando não, fere, aos outros e a nós mesmos. Com as espadas estão tanto a Ciência quanto o banho de sangue... tanto a meditação quanto a fofoca.
 
O pensamento, o escrutínio, a racionalidade estão para o ser humano como uma forma de organizar o que os sentimentos e sentidos percebem. Podem ser o nosso mapa... podem ser ainda, como é que a nossa mente desenvolve o que o mundo nos apresenta via imaginação, através de um tudo que já aprendemos. Porém, não podemos nos enganar. Cognição é uma possibilidade para todos os seres, não apenas para o ser humano. A nossa diferença é que apredemos a lidar com um ou mais códigos (linguagem) e fazemos muitas representações disso. E talvez não saibamos disso de outros animais porque não somos de sua sociedade... e talvez seja só isso. Fico pensando se os lobos não pensam que se distinguem de todos os outros animais porque... Claro que eu sei que somos uma raça predominante no planeta, mas não existem um tanto a mais de ratos do que pessoas nos grandes centros? Ou animais capazes de viver em ambientes que humanos preferem não?
 
E, em tudo isso, manda nesse reino a Rainha de Espadas. A Mãe do Pensamento, da Imaginação, da Comunicação... que também pode ser a das palavras duras, tão verdadeiras que doem... Rainha de Espadas é a nutriz dos mundos da intelectualidade e do mental. Senhora do ar que nem sempre se enxerga, mas que é essencial para a vida.
 
Ser a mãe de alguma coisa é ser responsável tanto pela gestação, quanto pelo nascimento e pelo crescimento. A mãe cuida, nutre e trabalha no sentido de que as coisas se encaminhem para o seu melhor, para o desenvolvimento. Se a mãe aqui, é a Rainha de Espadas, ela é dona do mental e nos ajuda a fazer com que ideias nasçam e cresçam e que se desenvolvam para o melhor que podem ser. Mesmo sendo de elemento ar, que é a nossa racionalidade, ou seja, a busca do entendimento e da lógica, a rainha também é água, então mora nela uma parte do sentimento, e imagino senão, o amor por ela.
 
Diz-se muito que a Rainha de Espadas tende a ser solitária, talvez uma viúva, uma senhora que nem sempre tenha as palavras mais agradáveis a se dar. A solitude dela é uma porque ela não está completamente dentro da água como as outras rainhas que tendem a usá-la para manifestar seu carisma (paus) ou fazer brotar seus conhecimentos de bem-estar (ouros) ou mesmo TODO o sentimento de que são capazes (copas). Essa é a rainha do instrumento humano mais do que da essência humana (copas). E assim, com sua lógica e por, às vezes, ouvirem o que não desejam, se afastam dessa mãe. Que ama, certamente, mas que deseja a estratégia, a prudência e as melhores escolhas para seus filhos.
 
Pensando nesse conjunto específico de cartas que está com essa rainha, acredito que sendo a rainha, é preciso olhar para as perspectivas futuras não exatamente para o que se é hoje, mas sim, para o que se pode construir, um eu mais verdadeiro, mais temperado, quiçá mais preparado para tomar conta de um reino...
 
Você quer uma dessas leituras da lunação?
Entre em contato comigo!
Pietra

PS: E uma coisa que eu notei, é como a Rainha de Espadas do Waite-Smith se parece muito com A Justiça... talvez seja a espada... talvez seja a natureza de ambas... mas fiquei pensando um pouco nisso - e olha outra virtude aparecendo aqui!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Virtudes

Se o tarot reflete a nossa vida, ele fala de tudo... inclusive do melhor que podemos ser... e acredito que aí, morem as virtudes.
Uma virtude é uma inclinação "moral" de se fazer o bem, de cuidar do bem viver de um grupo - e de si.
 
Waite-Smith Tarot.
Uma vez eu vi num filme uma personagem dizer: paciência é uma virtude. E isso é fato! Com paciência, o que nem sempre quer dizer calma, podemos fazer as coisas acontecerem de formas mais completas e, quiçá, satisfatórias.
 
Encontramos a ideia de virtude em todas as culturas do mundo, e embora elas talvez tenham nomes diferentes, o princípio por tras delas se mantém: moderação, honestidade, coragem, lealdade... As encontramos entre os cristãos, judeus, budistas, muçulmanos... é a vontade, ou melhor, a necessidade de bem viver com as pessoas que acendem as virtudes e clamam ao homem: olhe a seu redor: vc nunca está sozinho.
 
Quando as virtudes se mostram no deck, pensamos imediatamente em Platão, e na suas ideias de Virtudes Cardinais, e com elas aprendemos o que é o Bom, o Belo e o Verdadeiro. E assim, damos um sentido mais completo a tudo que fazemos na vida. De acordo com Aristóteles, seguidor do mesmo Platão, são as virtudes que são nossa disposição adquirida para fazer o bem e com sua repetição, tornam-se um hábito, aperfeiçoando-se. Penso eu que, em consequencia, nos aperfeiçoamos como pessoas. Aristóteles também comenta que a virtude se torna um ponto de equilibrio dentro do homem que o tira tanto da falta quanto do excesso de elementos morais. A virtude é que ajuda o homem a viver, sobreviver, fazer o que é preciso e até, encontrar a felicidade.
 
No tarot, encontramos as virtudes cardeais representadas e com uma que me faz pensar muito. Elas acabam por manter seus nomes nos arcanos: Justiça, Força, Temperança. Já a Prudência não se manteve com seu nome original... e hoje corremos em discussões sobre seus atributos e onde ela se encontra. E é muito interessante isso, pois a prudência é dada como a virtude de ouro, e que é através dela que fazemos nossos melhores julgamentos e pensamentos, em termos de qual deve ser a melhor atitude a se tomar, ou o melhor caminho a se escolher, ou, ainda, a melhor palavra para se dar a outrém.
 
O que se enfatisa nas virtudes, é muito parecido do que se pensa com a ética, ou seja, quais valores se encontram por trás de cada uma dessas coisas.
 
Assim, viver de forma virtuosa não é um talento, per se, mas sim, uma prática de princípios. E esses princípios podem ser pensados e são sim, representados em nosso deck de cartas. E por meio desses quatro pilares, conseguimos muitas coisas, como responder à esfinge da Roda da Fortuna o que realmente desejamos... ou ir com o Carro onde desejamos, sabendo nosso caminho...
 
Trabalhar com as virtudes do tarot é sempre um trabalho que acaba gerando imensa quantidade de conhecimento pessoal, pois esses símbolos universais nos mostram onde estão nossos limites e até onde agimos e pensamos e para onde mais podemos ir.
O quão corajoso vc realmente é?
O quanto se pensa e se pondera antes de tomar uma atitude?
Você sabe qual é o seu verdadeiro lugar no mundo?
E o principal: do que você é feito? Como você coloca junto e dentro de si todas as pequenas partes e faces que se carrega desde que se nasce até os momentos atuais, com toda a carga emocional e de vivências que o tempo proporciona?
 
As virtudes estão aí o tempo todo, inclusive para nos lembrar: existe sempre possibilidade de equilíbrio e harmonia no mundo. Qual caminho vc deseja trilhar para tal?
 
Então, fica em aberto: Prudência, onde você está no nosso deck?
Virtudes, vcs funcionam juntas? Como? Separadas?
Qual é a sua virtude para praticada, qual das suas virtudes é habitual?
 
Com a Temperança comigo até a próxima Lua Cheia, tenho muito a pensar, muita água e fogo para juntar, muito para descobrir sobre mim mesma e fazer da minha convivência com todos os outros seres mais virtuosa.
 
Tarot On!
Pietra

domingo, 19 de junho de 2011

Um exercício pequeno com as cortes...

Magical Forest.
Cavaleiro de Ouros. 3 de ouros. O Louco.
Ando muito inspirada com leituras com cartas de corte... porque eu penso que é muito importante lidar com elas e não achar que, quando uma delas aparece, temos um bicho de 7 cabeças.

Uma proposta simples é verificar o que tem em volta e pensar no contexto da leitura.

Muitas vezes não sabemos muito bem se a carta de corte se relaciona conosco ou com pessoas a nosso redor ou se falam de uma ação a ser tomada. Então, por melhor que nos sintamos quando intuímos bem uma leitura, saber do que o consulente precisa, ajuda muito.

Bom, uma forma de fazer isso bem óbvia é pedir para o consulente se identificar com uma das cartas de corte. Seja olhando o físico, de buscar uma pessoa que se pareça fisicamente com ela, ou da pessoa se identificar com a ação. Aí, sabemos: aquela carta de corte é aquela pessoa.

Senão, quando a carta de corte aparece, bom, temos de lidar com ela frente ao que temos em volta.

Contexto:
Trabalho e metas profissionais.

Carta de corte como uma outra pessoa:
Busca de reconhecimento do trabalho pode ser feito por uma pessoa jovem, talvez um tanto inexperiente, mas bastante empolgada... essa pessoa pode te levar para lugares inusitados, fazer as coisas de um jeito bem diferente. O que pode dar trabalho de início, mas que também pode render boas percepções.

Carta de corte sendo uma postura, uma energia, uma ação:
é necessário se lançar no mundo para que as pessoas conheçam seu trabalho. E como divulgar isso? Em lugares inusitados, de formas novas... com pessoas que talvez nem sejam da área, mas que possam levar a lugares diferentes. Levar seu trabalho a novos patamares não imaginados.

Carta de corte sendo o consulente:
Mesmo que com passos mais lentos, vc tem vontade de conquistar novas metas, fazer seu trabalho render mais. E você pode ser criativo e inovativo em seu caminho para se fazer conhecido. Porém, não se engane... isso tudo pode dar muito trabalho!

Conclusão: faz diferença? Claro... porque o que muda é o nosso olhar... é a perspectiva. Uma coisa é quando olhamos para uma pessoa, ali, na sua frente, paupável. Outra coisa, é quando falamos de uma ação... ela existe, claro, mas não é tão mensurável...

Cartas de corte são fascinantes... e podem deixar nossas leituras bem mais ricas. Vale muito contar com o consulente quando lemos essas cartas... com seus pensamentos, com suas ideias, com suas percepções, afinal de contas, estamos lendo para eles. Quando estamos lendo para nós, bom, acho que vale sentir... será que sou eu, ali, sentada num javali?

Pietra das cartas parlantes...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Estudos! Cursos online

Olá, pessoas!

A primeira turma do Curso Online de Arcanos Menores foi um tremendo sucesso! Tanto que, às quartas-feiras de manhã, continuaremos com o Curso Online de Arcanos Maiores. Nos encontraremos todas as quartas de manhã, durante nove aulas feitas via Skype, para falarmos dos arcanos maiores, na seguinte programação:
1a. aula: Morte, Vida e Renascimento - O Louco, A Morte e O Mundo.
2 - Virtudes: Força, Justiça, Enforcado e Temperança.
3 - Mulheres: Sacerdotisa e Imperatriz.
4 - Homens: Imperador e Sacerdote.
5 - Dores: Diabo, Torre e Lua.
6 - Amores: Enamorados, Estrela e Sol.
7 - Chamados e Destinos: Roda da Fortuna e Julgamento
8 - Encontros: Mago, Carro e Eremita.
9 - Aula de leitura coletiva para prática e entendimento do que foi estudado.
A partir de 22 de junho, às 11hs.

O Curso Online de Arcanos Menores - horário da noite - ainda não fechou a turma. Então se te interessa, por favor, entre em contato. As aulas serão de quinta a noite, às 20hs.

E, em julho, o Tarot: Leitura e Escrita lança um curso de quatro semanas: arcanos maiores e menores. Também via Skype, com encontros de 3 horas semanais.

Interessou?
Escreva para mais informações ou para fazer a sua inscrição: dichiaroluna@gmail.com

Espero você para horas de aprender e ensinar!
Pietra

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Esquilo Feliz!

Happy Squirrel em sua primeira aparição, nOs Simpsons.

A primeira vez que eu vi, achei muito engraçado... O lance de olhar para as cartas e ver uma coisa que, algumas vezes, o consulente não vê... Como quando vemos A Morte e acalmamos o consulente... ou vemos o 3 de espadas e tentamos ser razoáveis, afinal de contas, não adiantar por pânico nas pessoas, certo? Certo... e aí, como Os Simpsons brincam com tudo que temos para brincar, fizeram O Esquilo Feliz, o Happy Squirrel... e com ele, um significado divinatório terrível: acordo com a cartomante do desenho =)
Bom, e aí? E aí que a coisa ficou famosa e alguns artistas compraram a história... e colocaram o Esquilo Feliz em seus decks... e o significado pode variar muito.

Eu não tenho certeza se o Happy Squirrel seja uma coisa importante no deck, mas que dá um sentido engraçado para a coisa, dá. Num posting recente, Donnaleigh que cuida do podcast Beyond Worlds, colocou em seu blog umas ideias sobre o assunto e deu uma atribuição curiosa ao esquilo: fazer as coisas rapidinho e tomar aquelas decisões que são vitais e que precisam ser feitas quase no instinto... como o esquilo que pula por aí e fica de olho, mas sabe fazer saídas rápidas.

Marcos, como é xamã e lida bastante com animais de poder e totens, sempre me fala que é preciso compreender a natureza de um animal antes de buscar qualquer sentido esotérico ou místico. Que é na Biologia e no estudo do comportamento dele que está o "pulo do gato". E assim, o que é o esquilo? É um roedor que possui presas fortes e que lhe servem de ferramenta. Fazem seus ninhos nos altos das árvores e podem ter grandes ninhadas. Podem ser atraídos por música ou instrumentos musicais. Se alimentam preponderantemente de sementes e podem fazer escavações para se locomover ou esconder.

Assim, eu penso que, se pensarmos um significado para o Esquilo Feliz, podemos ter um arcano que fala de adaptar, correr, esconder e usar instrumentos.

Donnaleigh em seu posting propõe que tiremos uma carta para nos ajudar a entender o que é que o Happy Squirrel significa... Eu tirei A Estrela... e penso que isso faz essa carta ter algo de mágico, de inatingível... e talvez seja por isso que eu não consiga pensar num significado melhor pra ela... Talvez seja até uma reflexão do Mago... de um fazer rápido... 
Mas uma coisa é muito certa... é sempre bonitinha!

Eu comprei um deck que tem essa carta... eu ainda não sei se vou ler com ela ou se vou tirar... Quando o deck chegar, vou sentir e conto minhas experiências.

Pietra

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Um experimento

Há alguns dias ouvi o podcast Beyond Worlds, Tarot Tribe com o tarólogo e autor Steve Grossberg.

Layout do Vitruvian Squares.
Steve escreveu um livro chamado Vitruvian Squares (Quadrados Vitruvianos), um método de divinação que não necessariamente se encaixa somente para o tarot... mas para qualquer instrumento de divinação, pêndulos inclusive.

E ouvindo o programa e percebendo os exercícios, eu fiquei com muita vontade de experimentar... tanto para pedir o livro e me aprofundar, quanto para experimentar essa forma de leitura.

Então, gostaria de oferecer aqui no blog, duas leituras: uma de 3 cartas e uma de uma carta, pois os quadrados podem ser usados de diversas maneiras.

Vc quer dividir essa experiência comigo e com os leitores do blog Tarot: Leitura e Escrita?

Vou sortear entre os comentários deste posting duas leituras via Skype: uma de 3 cartas, e uma de 1 carta. E após as leituras, farei comentários, não da sua leitura, mas da dinâmica dos quadrados na leitura.

Vamos? Comente esse posting com seu nome e e-mail.

Farei o sorteio dia 29 de junho de 2011, quarta-feira e entro em contato com os vencedores para combinar o dia da leitura.

E para quem quiser saber mais ainda, o livro é este aqui...
O original está aqui: http://www.divinewhispers.net/vsquare.htm
E o site do Steve é o Thinking Magically e nele vc encontra blog dele e alguns produtos interessantes, como os livros, o deck e o pano de leitura dos Quadrados Vitruvianos.

Pietra

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Texto e contexto

Sol.
Quando lemos essa palavra, podemos pensar em muitas coisas:

  • Dia ensolarado, cheio de possibilidades.
  • Dia ensolarado, muito calor e pele ficando vermelha.
  • Sol, astro-rei. Fonte de luz e calor. Uma Estrela, centro do nosso sistema solar.
  • Sol se vê quando está dia.
  • Sol é o que as crianças mais desenham em seus desenhos, geralmente em amarelo, e com mais frequência que não, com um sorriso.
  • Sol, de beleza e de brilho.
  • Rei Sol, de vaidade e grandiosidade.
  • Sol, cerveja leve e (em teoria, mexicana).
  • Deus Sol, o invicto, o que nasce para nos tirar da escuridão e do frio.
  • Apollo Sol, a inspiração para música e poesia.
  • Deusas Solares que falam do dia e da alegria, Bastet, Amaterasu.
E assim, poderíamos ir por linhas e mais linhas.

Onde eu quero chegar com isso?
Que um arcano sozinho, so(l)zinho, isolado e visto de repente, pode abrir um leque muito imenso de interpretação. Um arcano é como uma palavra. Ela sozinha pode nos trazer muitas ideias, pensamentos e interpretações. E claro que isso é importante para nos encontrarmos nos arcanos, para que possamos dialogar com cada um deles.

Porém, eu penso, que quando fazemos uma leitura ou uma meditação, é muito importante que as cartas estejam contextualizadas. E isso vem se dando porque pensamos: ok, Sol: alegria, sucesso, claridade. E como eu relaciono isso com a minha prática espiritual? Ou, como isso cabe com a minha situação de trabalho? Será que sempre O Sol vai falar que vc vai ser promovido ou ter um aumento... Talvez não, pois ele pode estar indicando que vc esteja mais capaz de enxergar sua função, as pessoas que trabalham com vc, etc e tal...

EU penso que sim, a essência das cartas sempre se mantém. E é bem por aí mesmo, mas o que está em volta, muda ideias...

Vamos ver uns exemplos?
Contexto: O que eu preciso saber sobre minha família?
Sol + Ás de Ouros
Pagan Cats Tarot. Magdelina Messina & Lola Airaghi
Aqui temos um contexto familiar, de alegrias baseadas em projetos que podem ser feitos juntos. Sim, está tudo no começo, mas existe harmonia para fazer as coisas acontecerem. Se alguém na família está pronto para começar um novo emprego ou empreendimento, as pessoas estão ali para apoiar, pois o Sol está lá para fazer a semente germinar e crescer. Talvez seja preciso um cuidado com as palavras no começo, pois se não colocarmos um tanto de sentimento, um pouco de água, essa sementinha pode esturricar e a ansiedade matá-la. 

Sol + 2 de Copas
Pagan Cats Tarot.
A família parece ser extremamente harmonica aqui. E talvez esteja para aumentar por um casamento. As relações são felizes e, com tempo, as pessoas solidificarão seus laços, sua confiança e sua vontade de compartilhar, abrindo olhares para as pessoas envolvidas. O conselho ficaria para um cuidado para que as pessoas não invadam a privacidade umas das outras, pois o Sol tende a mostrar mais do que se busca. 

Que tal?

Por fim, o que eu penso é que é sim interessante que quando fazemos uma leitura, uma meditação ou mesmo um trabalho espiritual com o tarot, temos de ter muito claro em nossas mentes quais intensões temos. Por que será que estamos com esse Sol? Por que eu usaria O Sol como representante do meu sucesso em uma empreitada? O que significa esse Sol numa leitura de cura, de saúde?

Muitas vezes até gostamos do desafio de ler as cartas sem indicativo nenhum do que o consulente quer saber... e aí, contamos tanto com o nosso conhecimento dos símbolos quanto com a intuição e percepção dos movimentos e respostas do consulente. Quando lidamos com isso com sucesso, certamente que nos sentimos felizes e realizados. Porém, quando a leitura está contextualizada fica tudo mais simples e mais rico. 

TAROT ON!
Pietra

quinta-feira, 9 de junho de 2011

De ouvir

Palestra da Vera Notem o Léo Dias de secretário.
 Adoro os dois!
Tive a chance de ouvir a querida Vera Chrystina falando sobre a História do tarot e suas simbologias em palestra na 7a. Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa, no dia 4 de junho. E preciso dizer que sai da palestra dela com ideias e um sentimento de paz IMENSO!

Uma das ideias é render uma homenagem a Pamela Colman Smith... não é possível que uma mulher tão importante e talentosa na nossa vida de tarólogos tenha morrido pobre e enterrada como indigente... Não. Pamela merece nosso carinho, respeito e reconhecimento. Assim, logo logo, conto pra vcs o que eu estou pensando aqui na cachola!

E uma parte da minha paz é perceber que as pessoas estão a fim de fazer tarot crescer, acontecer e ser entendido.

E como é gostoso perceber que estamos cobertos em nossas ideias, de que estamos com pensamentos convergentes. Claro que o diferente é necessário... mas, ai, que delícia estar entre os nossos...

Obrigada, Vera! Foi um encontro incrível!
Pietra

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Símbolos, funções de linguagem e interpretação do tarot

Já que eu estou lendo o livro da Mary Greer, Understanding the Tarot Courts, eu fui dar um pulo no blog dela e me deparei com um posting ótimo que fala de como podemos usar as funções de linguagem (Linguística) para nos ajudar a ler as cartas de tarot. Então, me inspirei tanto no meu curso de Estudos Literários quanto o amor pelo tarot e fiz essa pequena reflexão. Fica o convite para quem desejar olhar de um outro jeito, talvez um mais literário, para as cartas de tarot.

Tarot é uma linguagem. Já falei disso algumas vezes. E como tal, está sujeito a análises, conceitos e usos. Usos, alguns, de licenças poéticas. Quando usamos a linguagem, principalmente a escrita, para fazer Arte, estamos fazendo Literatura. E o bom autor literário é aquele que é capaz de fazer um bom uso das palavras, dando a ela sentido e poesia. E acredito que o mesmo seja para o tarot.

Uma vez que a linguagem do tarot é, primeiramente, pictórica, ela é muito impactante. E podemos nelas ver diferentes camadas de imagens e dar a elas muitas interpretações.

Pensando em funções de linguagem, ou seja, em formas de utilizar as imagens/palavras para enfatizar um elemento de comunicação, podemos pensar nas imagens que as cartas trazem de formas mais e mais profundas que podem servir em diferentes formas nas leituras ou meditações que se faz com os arcanos.

Nas leituras e interpretações das imagens do tarot, eu penso que 3 dessas funções se destacam:
A poética, a denotativa e a conotativa... a que pela pelo bom uso das imagens, como dizer bem através das imagens do tarot; a segunda, denotativa ou referencial, mostra as imagens tal qual elas são e falam de seu ser per se, sozinhas e isoladas; e a última, também chamada de emotiva, fala de como as imagens falam, dialogam com as pessoas, com o que entra em contato com ela.

Claro que as outras funções, como a Metalinguistica, podem aparecer, pois eu vi um exercício ótimo de usar outros arcanos para ajudar entender um arcano em questão. O mesmo para a fática, que fala do canal de comunicação.

Mas, voltemos as 3 primeiras... A que elas nos ajudam quando fazemos uma leitura?
A visão poética nos mostra o quão adequada a imagem é para o arquétipo do arcano.
A visão denotativa nos ajuda a chegar a interpretações bastante objetivas das cartas, fazendo uma tradução quase que literal do que se vê.
A visão conotativa ajuda a enxergar os lados mais subjetivos dos símbolos, vendo significados mais místicos, esotéricos e mesmo, emocionais.

A primeira é a nossa baliza para comprar um bom tarot, ou um deck que fale conosco e mantenha os símbolos dos arcanos; a segunda nos ajuda a ver detalhes e reconhecer os arcanos e seus elementos, além de trazer dicas objetivas de como interpretar e lidar com a carta; a terceira, a fazer a interpretação per se, ou seja, para olhar o que está além do símbolo, o que ele quer dizer ou representar. E isso tudo, acredito eu, faz a leitura mais rica, nos ajuda a compreender o que um artista pensou ao fazer seu deck e como podemos nos relacionar com essa Arte.

Tarot pode ser sim, uma coisa muito simples, e singela. Porém, como os mais belos escritos ou as mais belas pinturas, o quanto mais não podemos encontrar? Quantas coisas podemos achar em recortes de imagens e escritos? Quantas camadas de informação estão no que vemos, lemos, interpretamos? Tarot é igual... porque é a vida.

Os fatos, são de fato, fatos. Porém, o quanto mais não se adiciona a eles? O que nos leva a eles? O que vem depois?

Ah, tarot falante... ah cartas de beleza sem fim!
Pietra

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Blogagem Coletiva: Arcanos e Olhares - O Hierofante

Fiz meu texto de participação na blogagem coletiva do Conversas Cartomânticas =)

Arcano 5. Acima, à esquerda, Gaian Tarot. Ao
lado, Mitológico. Abaixo, à esquerda, Goddess
Tarot e, ao lado, Waite-Smith.
Escolhi O Hierofante porque é o meu arcano pessoal, então me senti bastante à vontade para escrever sobre ele.

Hierofante, o grande professor


O quinto arcano do tarot seja talvez um dos que teve seu significado e entendimento desnivelados pelo passar do tempo. Quando o tarot começou a ser concebido em sua estrutura e imagens, lá nos anos 1490 e tantos, o Papa (título original da carta) era uma figura importante e proeminente. Talvez o seja até hoje para a comunidade católica que, conta com o seu sacerdote para esclarecer, apoiar e ensinar a secularidade da Igreja e de seus modos.

Porém, é dado que, pelo menos ou mais fortemente, nos últimos 100 anos, a Igreja e o Papa perderam seu "carisma" e que o tarot não é mais só um jogo de cartas entre as massas, mas um sistema de leitura de vida e de conhecimentos, que foi, inclusive, imbuido de várias disciplinas e ideias que não necessariamente, representam o Papa ou o ideiario cristão.

O tarot ganhou toques da Cabala (judaíca); de diversas mitologias; de espiritualidades centradas na natureza; da cultura contemporânea que se soltou completamente de uma visão teocentrista do universo. Tarot agora é tarô e serve a diversos propósitos, como terapia, investigação, meditação e, sempre, divinação. Hoje em dia, ninguém é dono do tarot; ele é um livro de vida que está aberto a todos que desejem ler e falar sua linguagem.
Então, o que acontece com o arcano 5? Ele perde sua razão de ser? Se torna fora de lugar? Fora de forma?

Absolutamente, não. O Papa, como mostrado nas imagens do Waite-Smith Tarot, ou melhor, o conhecido e talvez não entendido, Hierofante é uma carta incrível, com muitas possibilidades e ensinamentos que sim, se perpetuam na humanidade ao longo dos séculos.

O Hierofante é o sacerdote. E o sacerdote é o oficiante de uma religião ou espiritualidade. É o mediador. A ponte. É quem lida com os ensinamentos espirituais e quiçá, culturais e de fundação de mundo de um grupo ou sociedade. O sacerdote é o que dedica sua vida, recebe treinamento - formal, geralmente - e pratica ao longo de sua vida, todo esse conhecimento, o transformando em sabedoria.

Um outro papel que cabe ao Hierofante é o de professor. O que traz o conhecimento e ajuda o aluno a encontrar sabedoria. Aqui, ele também é o mediador, o que faz uma ponte, mas não necessariamente entre o divino e o mundano, mas entre o aluno e a sua cognição. Afinal, o que é aprender? É vivenciar conhecimentos e poder compreender, generalizar e construir conceitos. O papel do professor é fazer com que esse processo se dê de forma significativa, ou seja, que faça sentido para quem aprende e que possa ser utilizado tanto para uma discussão teória quanto para uso prático.

Por fim, um último papel que encontro no Hierofante é o de modelo. Este inclui os dois últimos de sacerdote e professor. Ambos são a demonstração da vivência e de como fazer o conhecimento secular e espiritual culminarem num estilo de vida que os tenha como pano de fundo.

E, com tudo isso, a representação do Papa/Hierofante, do Sacerdote foi ganhando diversas nuances e ideias, crescendo em significados e se transformando em significantes que carregam em si os princípios da educação, da mediação e da espiritualidade. Alguns exemplos podem ser vistos nas seguintes representações:

Gaian Tarot, de Joanna P. Colbert: ela chama seu arcano 5 de O Professor e ele é aquele senhor que vive por entre as ervas, plantas, animais e pessoas de um local e os conhece todos. Ele está junto ao coiote que pergunta, rodeia e que, talvez, nos leva a outros lugares para reconhecer coisas que já sabemos ou que precisamos aprender. O professor, o número 5, des-estabiliza conhecimentos para construir novos.
Goddess Tarot, de Kris Waldherr: nesse deck chamado de Tradição, representada pela deusa romana Juno. Ela, esposa de Júpiter e assim, rainha dos deuses, mantém as tradições e status quo através das atribuições e cerimoniais que passam por gerações. O chamado e a importância dessa tradição é se manter saudável, desprovida de uma necessidade insana de poder e, principalmente, significativas.
Tarô Mitológico, de Liz-Greene: neste a carta tem seu nome "Hierofante" e nela está mostrado Quíron, o professor de heróis, o curador ferido. Quiron ensina os heróis as qualidades, princípios e moral. Infelizmente, em sua história, não consegue usar seus próprios conhecimentos para se curar, demonstrando que, algumas vezes, o aprendizado não vem necessariamente pelo amor, mas sim, pela dor.

Muitas pessoas acreditam que olhar para O Hierofante nessas distintas representações o torna mais suave e menos severo ou austero que um padre, como visto no Papa do Waite-Smith. Mas será que é sempre assim?
Quero dizer, os professores que temos, os melhores deles, são os mais regrados, mais conhecedores de sua área de atuação e que exigem sim, disciplina, capricho e um trabalho bem feito. Porém, são os mesmos professores que reconhecem o movimento e a dinâmica de cada turma e atinge os alunos onde mais precisam avançar. Austeridade e autoridade são faces necessarias desse papel, mas não se mata aí a amorosidade que o espiritual, o contente com seu papel carrega em tudo que faz.

Muitas representações. Várias ideias. Uma mesma essência. Quando O Sacerdote aparece num jogo ele pode nos falar de aprender e fazer as coisas como a tradição pede, como é conhecido e entendido secularmente. Nos fala de fazer pontes de conhecimento e de deter a chave desse conhecimento para que, com a ajuda de outros (e das outras cartas da leitura) o transformar em sabedoria. A Educação, o entendimento. Por outro lado, a temosia, a dureza dos velhos caminhos também pode ser observada e pode nos alertar sobre como o mundo é dinâmico e abre sim, espaço para o que é novo, vivo e principalmente, para o que traz novos significados.

Viver como O Hierofante é uma tarefa de tempo integral. Pois ele pede que nos entreguemos ao estudo e ao trabalho de quem ensina. O que se ganha profundamente, é que quem ensina também aprende, e, se for capaz aprende a olhar pelos olhos dos outros, novas formas, perspectivas e ensinamentos daquilo que ele mesmo sabe tão bem!

Pietra di Chiaro Luna
taróloga, bruxa e coordenadora dos eventos Chá de Tarot e Confraria Brasileira de Tarot

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Leitura... layout, posições e pensamentos

Vendo alguns textos e opiniões por aí e tendo uma chance boa de comungar com outros tarólogos, estudiosos, curiosos e afins de tarot, eu me peguei pensando numa coisa que está mega presente na minha prática de tarot agora. O trabalho com os layouts de tiragem, de leitura.

Todos os dias vemos ou aprendemos sobre uma nova tiragem... ou uma velha, mas que temos uma nova percepção, uma nova experiência. Desde a Cruz Celta que vem em praticamente todo livro que se compra sobre tarot até os insights que temos, as leituras nos ajudam a organizar, a sistematizar uma leitura, dando um símbolo (ou mais) para cada uma das posições. Se o tarot é uma linguagem, cada lugar da leitura é um capítulo de um livro que estamos lendo sobre uma determinada situação.

E como tudo, isso tem aspectos muito bons e uns que me levam a pensar em coisas mais ou menos. Porque eu mesma ando num caminho mais ou menos. Explico: muitas das leituras que eu tenho feito para outras pessoas + a minha de lua cheia, são leituras de posiçcões bem definidas que podem ser complementadas por mais algumas cartas tiradas como conselho ou aprofundamento. Porém, tenho sentido uma necessidade muito grande de olhar para as cartas, principalmente para essas de aconselhamento como um conjunto ao invés de individualmente.

Explico de novo: estou, ultimamente pensando em como as cartas se fazem como um conjunto e não como três individualides em grupo. É como se olhassemos para como um casal ou uma família funcionam como dinâmica e como energia: ah, esse casal é harmonioso... ah, essa família é mais dispersa e por aí vai...

O que eu tenho percebido é que ter esse olhar mostra uma figura mais ampla de um momento que já está situado em uma leitura e me parece dar mais possibilidades sobre algo.

Vamos de um exemplo?
Numa leitura de Mandala astrológica, a casa 6 - por exemplo - fala de trabalho e saúde, uma vez que está relacionada com o signo de Virgem, ou seja, com uma forma sistemática de fazer acontecer o que Leão imagina. E nessa leitura, na casa 6, temos:
Cavaleiro de Ouros (que é muito interessante para quem trabalha, ouros = terra): uma energia bem forte de fazer acontecer no trabalho. Ideias, vontades, movimentos e vários fazeres para fazer com que o que é de trabalho funcione.
Pergunta: como lidar com essa massa de energia física e esse monte de coisas para fazer? Como otimizar isso tudo?
3 cartas: ás de ouros, 9 de copas e Rei de Ouros.
(qual dinâmica temos entre essas três cartas?)

Para ganhar a maestria no que se precisa fazer no trabalho, ou seja, para lidar de forma tranquila e profissional com tudo o que se precisa fazer no trabalho é preciso tanto criar uma atmosfera de alegria e bem estar e trabalhar boas ideias. Quem o faz, é capaz de ser promovido e começar um novo ciclo de trabalho bom e bem feito, ou seja, mãos a obra.

E você? Já experimentou fazer essas leituras mais dinâmicas? E se vc quer uma leitura assim, é só me escrever!
Pietra

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Tiragem de 3 cartas para apoio pessoal

Geralmente quando uma pessoa vem buscar uma leitura de tarot é porque ela precisa de um apoio e busca respostas que não está enxergando no momento. Dificilmente, quando vem buscar o tarólogo, ela está em um momento light da vida... Ou tem questões, ou quer saber sobre mais coisas sobre uma questão ou é seu aniversário e quer saber de mais coisas de sua vida. E o tarólogo a ajuda a fazer esse mapa, esse caminho.
E, quando o problema é o tarólogo? Por quê, digamos, não estamos sempre 100%, certo? É aqui reside um pouco daquelas discussões de fazemos uma leitura para nós mesmos ou não ou se estamos envolvidos demais, quem nos socorre?
Encontrei essa leitura aqui no blog Tarot Healing da Lisa, que é uma taróloga britânica muito certeira. Resolvi tentar para me ajudar, inclusive a me orientar em determinadas coisas. O blog dela é http://tarothealingbylisa.blogspot.com/
A jogada é bem simples. 3 cartas.
1- O que a minha alma está mostrando em suas profundezas?
2- Como posso dar à minha alma uma expressão criativa?
3- Como posso me dar encorajamento?
Vamos experimentar?
1. O Eremita.
2. A Temperança
3. Cavaleiro de Ouros
1. Nas profundezas, a alma parece demonstrar uma necessidade de se organizar sozinha. De se afastar do que for muito social e intenso, não interessa. Interessa a exploração interna e a afirmação daquilo que é sabido, do que já é certo e testado. A alma do Eremita é cheia de conhecimentos e de sabedoria que, como alma, se perfaz por muito tempo; assim acaba pedindo um certo afastamento, um certo olhar para dentro de sim.
2. Arte. Fazendo, apreciando e dialogando com a Arte. Quando A Temperança aparece, ela nos chama a mover dentro de nós os opostos complementares pessoais que nos mostram quem realmente somos. E isso, essa harmonia e trabalho se chamam, pelo Thoth, Arte. Assim, busque na música, nas pinturas, na literatura inspiração para o seu fazer artístico pessoal. Em traços físicos que a alma pode ser significada, compreendida. E é o diálogo com todos os símbolos que a Arte proporciona que esse diálogo fica mais intenso e a alma se encontra - e fala!
3. Posso me dar encorajamento colocando essas coisas todas em andamento. Se levar a um local de apreciação da Arte e em situações que concretizem vontades e desejos que a alma expressa em seu tempo de existência. O que mais o Eremita quer aprender? Compre um livro. Vá a uma biblioteca. Que música inspira a alma? Compre o cd. Veja um concerto de câmara ao meio-dia no Teatro Municipal. Para se apoiar é importante fazer acontecer concretamente as coisas que a alma anseia.
Que tal?
Pietra