Boas vindas a quem chega!

Este é um blog destinado a falar de tarot. Para escrever sobre tarot e suas infinitas possibilidades. Para ler tarot, presencialmente ou online.

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Diabo na literatura

Tarot of the Witches
E se não houvessem tentações a se cair?
E se a felicidade fosse constante (e por vezes, artificial)? Elas seriam nossas amarras?
E se crescemos realmente condicionados pelo meio em que vivemos?
E se a sociedade fosse sempre estável?
Quais seriam nossas formas de dar forma às sombras que vivem nos seres humanos?

Algumas perguntas perto do final do livro "Admirável Mundo Novo" de Aldus Huxley.
Pietra

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Percepção e a Sacerdotisa

Aprendi com José Saramago que a percepção é muito mais do que "arranhar" a realidade e tirar uma amostra dela. A percepção é efetivamente o entendimento - naquilo que podemos - do que nos cerca.
Zombie Tarot

Entendimento, por sua vez, é fazer algo ter sentido, ser significativo. E todas essas palavras levam para o tarot. O livro de páginas soltas é parte da vida para que possa ser lido e combinado, para que nos ajude em suas muitas palavras e signos, dar sentido ao mundo que nos circunda.

A Suma Sacerdotisa percebe, faz sentido, muitas vezes daquilo que não é visível. E penso que isso é um trabalho imenso e completamente necessário.

Nem sempre o que nos afeta, aquilo que buscamos o sentido é palpável ou disponível à visão. Mas... sinto que, mesmo fazendo parte de um mundo físico e cheio de barreiras, quantas mais coisas estão à volta e não são brutas como a matéria?

E os nossos pensamentos que sabemos existentes, mas que não podem ser tocados? Será a sensibilidade da Sacerdotisa que permite que os concretize na escrita em seu imenso livro da vida - e da morte?

Ela talvez seja uma dançarina de entre mundos... Uma conversadora de sutilezas e assim, sua tradutora.

A Sacerdotisa nos leva a conversas internas e externas profundas. E nos permite colocá-las em palavras. Senhora das sutilezas.

Pietra, esperando a Lua Cheia

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Um jeito interessante de ver o ano

Correndo o risco de chover no molhado, já é dado e sabido que a Mandala Astrológica é uma leitura muito boa para olhar questões pessoais e coletivas que falam tanto do indivíduo. No entanto, ontem tive uma experiência interessante fazendo a leitura da mandala para dar a uma consulente uma perspectiva do ano. De janeiro - casa 1 da mandala - a dezembro - casa 12, foi possível perceber como o ano dela iria desenrolar-se, mostrando ainda, momentos mais adequados para uma segunda ou terceira consulta para esclarecimentos ou potenciais aconselhamentos.

Alguns pontos dessa leitura...
A primeira coisa é que foi uma das últimas coisas que eu fiz na consulta dessa consulente. Isso é legal porque você faz todo o percurso do que o consulente precisa para depois colocar essas coisas todas em perspectiva dentro dos meses que se seguem. Em alguns casos, a repetição de cartas entre essas leituras ajuda a situar questões e a estipular um tempo de acontecimento.

Segundo, é que eu fiz isso tudo de um jeito bastante simples. Pedi a ela que se concentrasse em seu ano e a cada carta, mentalizasse o mês sobre o qual falávamos. Uma carta para cada mês, com aquela vantagem de ver arcanos maiores e menores, dando os contornos do ano.

Achei que valeu a pena. Evidentemente, vale a pena fazer a coisa do jeito certinho, seguindo o método americano ou europeu de tirar as cartas e fazer todos os aconselhamentos, mas para essa época do ano, onde muitos buscam as leituras para entenderem o que lhes espera nos próximos meses, foi uma experiência muito feliz!

Pietra

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Suma Sacerdotisa, histórias de Deuses, o silêncio da boca e as palavras dos dedos

Uma história bem curiosa aconteceu comigo na Lua Cheia... segue como eu a relatei no Facebook:
"Vamos começar com histórias interessantes...
Lá em NYC conhecemos um senhor muito cristão que nos contou coisas bastante inspiradas sobre sua espiritualidade. Foi um dos poucos americanos que conhecemos que nos atendeu em algum lugar, pois na maioria dos lugares, diria 99%, os trabalhadores do comércio são imigrantes. Um homem negro (afro-descentende) imenso e com uma fala muito particular (you know what I'm saying?) cujas palavras eram muito sinceras e que ajudaram a compreender um pouco do que se passa na cabeça do gospel norte-americano. Nos contou sobre seu dom de falar em línguas e das coisas impressionantes que já viu e já ouviu, como nós quando vemos e ouvimos nossos deuses, guias e mestres. Muito do que ele disse, reforçou ainda mais a minha fé, pois como ele se sente sobre o Lord, é exatamente como eu me sinto a respeito dos Deuses... sobre Zeus, Afrodite, Hermes, Apollo e assim vamos pelo panteão. Então, na noite de lua cheia, eu sem um dos meus decks de tarot, lhe pedi um número: o que ele dissesse seria meu arcano do mês. Ele me respondeu: "eu diria 9, mas 2 parece mais adequado". Sacerdotisa  E vamos lá, seguindo por uma lunação na qual se SABE que ELES estão em todos os lugares. ‪#‎paganismo‬ ‪#‎deuses‬ ‪#‎sereshumanos‬
Bom dia! Bom ano! E paz profunda aos de boa vontade!"
Publicado em 8 de janeiro de 2015

Por incrível que pareça, achei nas livrarias de NYC pouquíssimos decks de tarot e nada que me impressionasse ou que eu não tivesse (oh vida difícil de colecionar hihihihi). Assim, confiei numa
Seven Fold Mystery Tarot
palavra inspirada de outra pessoa. E penso que me ajudou mt. 

As visitas aos museus, a vista sobre o crescimento da humanidade sobre a Terra, seus movimentos, suas crenças, poder estar junto com estátuas dos Deuses como elas eram há tantos muitos anos atrás... Foi lindo para reforçar o que eu já sabia Deles. Eles estão. 

A Suma Sacerdotisa fala muito do poder da mulher como ser atuante... mas que muitas vezes, atua sem dizer, sem justificar. Tenho me sentido assim. Capaz de pensar, de refletir... colocando muitas palavras pra fora. Estou me sentindo produtiva na escrita... tanto na literária quando na divina. Tenho conseguido colocar o tarot pra fora. Pra pensar e para ajudar. Até para colocar seus símbolos e arquétipos para construir a literatura. 

A Sacerdotisa te faz exatamente o que ela é: uma conselheira, um oráculo, uma sábia que nem sempre precisa falar. É só fazer. 

Agradeço honestamente... eu estava meio seca. Estar ao lado dos Deuses colocou um combustível novo e aditivado dentro de mim. Que bom!

Pietra, escrevendo e pensando

sábado, 10 de janeiro de 2015

Oráculos, Deuses e a busca humana pelo vir a ser...

Numa feliz visita ao American Museum of Natural History fiquei bastante impressionada com a parte "humana" da exposição permanente. Parece bobagem, mas pensando no museu em si, vem mt a coisa dos dinossauros e suas ossadas, de animais de diferentes locais do mundo. Porém, nos esquecemos, infelizmente, que somos parte da História Natural, que somos animais e que somos parte da natureza. Que nossos movimentos são sim biológicos e que formamos grupos que se moveram pela Terra como grupos de animais e que nossos hábitos também são como os deles. De todos. Assim, uma boa parte da exposição mostrava o desenvolvimento humano de diversos grupos. E um dos que mais me chamou a atenção foram os africanos. Possivelmente porque temos muito contato com essa cultura pela nossa formação social, afinal o que não é a influência africana no desenvolvimento da humanidade brasileira?
Central a quase toda sociedade africana era o oráculo. Poderia ser um médico, sacerdote (isa), chefe ou todos ao mesmo tempo. Todos são aspectos de uma necessidade essencial da ordem física e social. O termo "bruxo (a)" não se encaixa. O "medico" como é melhor denominado pois traz uma cura. O sacerdote pode forçar a cura. A divinação, no entanto, deve vir primeiro. Pode ser feita de várias formas. Todas as fofocas se convergiam sobre o oráculo, desde uma reclamação social como um roubo ou adultério, geralmente, ele já sabia a resposta vinda de uma forma divina. Caso seja algo físico, o conhecimento do grupo ou do "médico" era utilizado. Para questões menores, poderia ser aconselhado a obter um fetiche apropriado, para cura ou proteção. Quando um problema ia além do físico, entramos no campo da fé.


Objetos usados pelo oráculo.

Placa explicando alguns fetiches e oráculos.

Bem, em grupos africanos antigos que viviam nas planícies, as mulheres eram imensamente valorizadas como sacerdotisas, médicas, chefes, mães e oráculos. E sua fonte de leitura eram objetos simples que, dispostos de uma certa forma, davam a previsão. Não vejo como isso é diferente do tarot. São cartas, simples, que dispostas juntas, dão uma previsão, um conselho. O que eu acho mais curioso de tudo é como isso sempre esteve conosco... aves que trazem augúrios, conchas, dados, cartas, nuvens, fumaça... O que está acontecendo em nossa terra? O que acontecerá entre as pessoas? Penso que por milênios, as questões humanas sempre foram as mesmas... A diferença? Quando a humanidade entendia-se como parte do ambiente que a cerca, a visão do mundo e dos seus movimentos também mostravam o seu próprio. Era parte intrínseca dos grupos humanos. Hoje existe mt mimimi sobre adivinhação, previsão e aconselhamento espiritual. Existe picaretagem? Sem dúvida, mas porque igualmente passou-se a aproveitar-se da boa vontade alheia. A coisa saiu da esfera do clã, do grupo e por ser pública, pode atrair coisas erradas... em quem lê ou em quem é lido. Talvez seja o que pagamos pelo crescimento e universalização do mundo.

De qualquer forma, confiar no oráculo é confiar no rastro humano. No que a natureza tem a dizer. No que anos e anos de humanidade têm a mostrar como lição. Todos estivemos lá... voltaremos... cometeremos erros e subiremos em glória.

É... consulte sempre um oráculo!

Pietra

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Quando fazemos isso de graça?

Se fazemos um trabalho, se temos um ofício, somos especialistas em alguma coisa. Seja qual trabalho seja... E acredito que, uma vez que temos um "talento", "dom", "especialidade" podemos usá-lo para nós, claro, mas sem dúvida, melhor ainda é quando podemos presentear outros com eles.

Não que eu ache que o trabalho de tarólogo deve ser agraciado o tempo todo, tanto pelo valor que ele tem quanto por tudo que o cerca: seu tempo, seu estudo, seu investimento, etc etc etc... No entanto, por tudo isso, pode ser um magnífico presente.

O padrinho de casamento dos meus pais conta que utiliza sua tarologia apenas em caso de doença e não cobra por essas consultas. Fiquei pensando muito nisso.

Silver Era Tarot
Tenho uma amiga que está numa situação muito delicada e eu sei que não conseguiria ficar ao seu lado toda vez que penso no que ela está passando. Porém, não sai da minha cabeça. Gostaria de fazer algo para ajudá-la. Para dar algo que eu considero valioso como uma forma de conforto, como uma forma de esticar a mão a quem precisa. Assim, em uma hora, querida, sua leitura estará pronta.

O valor das coisas pode ser meramente intrínseco. Na verdade o é. Cada um valoriza o que acha que o tem. Para uns, um carro X, Y ou Z... para outros, uma aula A, B ou C...

Em "A Viagem do Elefante", José Saramago fala sobre como podemos fazer nosso melhor.
"Eu não fiz nada, meu senhor, os méritos são todos de solimão (o elefante), Assim terá sido, mas imagino que em algo haverás ajudado, Fiz o que pude, meu senhor, por isso sou cornaca, Se toda gente fizesse o que pode, o mundo estaria com certeza melhor (...)" p. 253

Se, para ajudar quem deseja ajuda, podemos fazê-lo, por que não esticar as mãos?

Pietra

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O diabo do medo

Um tema bastante recorrente que venho encontrando ultimamente é o tal medo que as pessoas dizem ter de encarar o tarot ou uma leitura. De achar que o que vai ser lido lhes trará más notícias e que isso pode afetar sua forma de ver o mundo e lidar com as coisas. Quiçá fosse um medo saudável e motivador, como subir numa montanha-russa. Mas não, pode-se tornar daqueles medos apavorantes que paralisam os que lá estão.

Sem dúvida, o medo é importante, pois ele nos mantém vivos e "espertos" para o que está à nossa volta. Instinto de sobrevivência que deveria alimentar a cautela. Porém, me parece que o medo de lidar com uma leitura é que talvez, vivendo uma situação confortável, a leitura aponte mudanças. Ou ainda, alguns fantasmas não querem simplesmente abandonar seu sótão. Existe, claro está, o medo da dor, da doença, da perda, do luto. Todos legítimos.

Mudanças dão medo. Porque elas apontam para aquilo que não vivemos ainda. Porém, acredito sinceramente que mudanças podem indicar um caminho melhor; e se não melhorou é porque o processo não chegou ao fim.

Uma das perguntas que eu sempre me faço ou faço a quem me diz que tem medo do tarot é: você tem medo de ler um livro? E geralmente, me deparo com: não... os livros não são reais. Bom, sem dúvidas, temos muitas histórias de ficção que podem levar ao estado de medo ou de apreensão. O que elas fazem é nos levar a uma catarse desse sentimento e quem sabe, aprendermos algo para lidar melhor com eles.

Uma outra coisa que eu aprendi, com ou sem tarot, é que notícia ruim vem a cavalo. Chega rapidamente. E daí, é lidar com ela. Duro é lidar quando vc está envolvido no olho do furacão. Mas o medo evita de morder mais do que se pode mastigar. E acaba ajudando naquilo que precisa ser feito, pois em condições ideais de temperatura e pressão, os passos são dados mais cuidadosamente para que uma situação se resolva.

O lance do medo é o mesmo do arcano 15, O Diabo. Ele prende. Ele paraliza de uma forma a fazer qualquer ação, para o lado que for, tornar-se impossível. Impensável. O risco sério que se corre aqui é permanecer no estado de pânico e viciar-se nele.

O Diabo mostra o lado sombrio das pessoas. Naquilo que não se mostra, mas que vive juntamente
The Deviant Moon Tarot
conosco. Assim, muitas vezes esse medo apenas espelha-se naquilo que já sabemos e não queremos verbalizado. Ou nas reações que podemos ter frente a certas situações que talvez não fossem as mais socialmente aceitas.

O Diabo, no entanto, tem um lado materializador muito firme e está muito próximo ao nosso mundo físico. Isso tem a ver com os limites que a carne impõe, que a física nos coloca. O Diabo é terra, é chão, é limite, é tudo que vem a existir fisicamente.

Portanto, assim que o diabo do medo aflora é importante vivê-lo e reconhecer do que ele está nos protegendo, e, ao mesmo tempo, não se deixar paralisar e buscar assim que o primeiro respiro vier, uma forma melhor de contornar a realidade que se apresenta.

Quero crer, sinceramente, que não existe uma motivação ou intensão efetivamente má ou diabólica no que nos cerca, embora muitas atitudes vistas são cruéis e feitas pela pura fonte de prazer de sobrepujar o outro. Só reflita: é isso mesmo que se deseja? Se sim, vá em frente. Afinal, exacerbar do pequeno poder que o Diabo dá, segue-se com a Torre. Como tudo na vida, sua escolha!

Pietra